Pessoas que sofrem de
doenças psiquiátricas sempre foram alvo de preconceito, contudo há algum tempo
foi publicado um estudo completo sobre a biologia desses transtornos. Uma grande
ajuda para combater o preconceito e uma prova de que essas não são “doenças inventadas”.
(CRISTIANE SEGATTO)
Esse estudo é resultado de um esforço internacional de 19
países, financiado em parte pelo governo americano. Ele visa apontar o que há
em comum, do ponto de vista genético, entre cinco doenças: depressão,
transtorno bipolar, autismo, esquizofrenia e transtorno do déficit de atenção
com hiperatividade (TDAH).
Os cientistas analisaram o genoma completo de 33 mil
portadores desses distúrbios. Eles foram comparados a 28 mil pessoas
não-afetadas pelas doenças. Em quatro diferentes regiões do DNA, foram
identificadas variações genéticas que aumentam o risco de desenvolvimento de
qualquer um dos cinco transtornos.
Duas das quatro variantes identificadas estão envolvidas na
regulação dos canais de cálcio, o que é crucial para o funcionamento adequado
das células nervosas. “Eles são fundamentais ao trabalho dos neurônios”, disse
à revista Time Bryan King, diretor do departamento de
psiquiatria da criança e do adolescente da Universidade de Washington. “O
balanço de cálcio e cloreto é crítico para a adequada atividade elétrica dos
neurônios”.
Essas descobertas genéticas são um primeiro passo. Falta
compreender por que um problema nos canais de cálcio pode levar ao autismo em
uma pessoa e, em outra, ao transtorno bipolar. Esse conhecimento pode contribuir
para que a comunidade científica repense as doenças psiquiátricas que
compartilham a mesma arquitetura genética.
Uma coisa precisa ficar clara: ter essas variações não é
certeza de desenvolvimento de qualquer uma dessas doenças. Essas variações
aumentam o risco de surgimento dessas doenças, mas não representam uma sina.
Segundo o que se sabe até hoje, essas são doenças provocadas por alterações
genéticas, fatores bioquímicos e ambientais (estresse, ambiente hostil etc). Os
genes são apenas um pedaço da história, mas um pedaço importante.
É assim que a ciência comprova que transtornos psiquiátricos
não são “doenças inventadas”. Eles existem, de fato. Negá-los é produzir
confusão, é impingir sofrimento desnecessário aos doentes e às famílias
Artigo retirado da revista Época. Acesse e obtenha mais informações em: http://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/cristiane-segatto/noticia/2013/03/biologia-e-doencas-inventadas.html
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